Avaliação pré-anestésica na Residência: ASA, jejum e via aérea - Easy Medicina
Capa infográfica sobre avaliação pré-anestésica para residência médica: classificação ASA, prazos de jejum e avaliação de via aérea

Avaliação pré-anestésica: risco, jejum e medicações que a prova adora cobrar

Filipe Lírio Malta Por Filipe Lírio Malta · 19 de agosto de 2026 · 11 min de leitura

Sabemos que a avaliação pré-anestésica é uma das disciplinas mais temidas na prova de residência médica – não por complexidade, mas por volume de detalhes. Você sabe diferenciar os riscos ASA? Conhece as contraindicações de medicações comuns? Sabe exatamente quanto tempo de jejum é exigido para cada tipo de cirurgia? Por conseguinte, este artigo vai direto aos pontos que a banca adora cobrar, com foco em critérios clínicos e condutas práticas. Consequentemente, vamos estruturar o conhecimento de forma que você consiga resolver qualquer questão sobre esse tema com segurança.

Portanto, vamos começar.

O que é avaliação pré-anestésica – pontos-chave e por que ela importa na prova

Antes de tudo, a avaliação pré-anestésica é o processo de avaliação clínica e de exames complementares realizado antes de uma cirurgia com anestesia geral, regional ou sedação. De fato, seu objetivo é identificar riscos; em outras palavras, orientar a escolha da técnica anestésica e prevenir complicações perioperatórias. Vale destacar que, portanto, essa avaliação não é apenas responsabilidade do anestesiologista.

Na prova de residência, a avaliação pré-anestésica aparece em várias formas. Então, vejamos as principais:

Ainda assim, vejamos cada um.

  • Classificação de risco ASA – dito isto, praticamente toda banca testa isso
  • Jejum pré-operatório – em resumo, consenso ASPEN/ASA com prazos específicos
  • Avaliação da via aérea – por conseguinte, critérios Mallampati, Cormack-Lehane, distância tireomentoneana
  • Contraindicações de drogas – igualmente, interações e adaptações em pacientes com comorbidades
  • Risco de aspiração – sobretudo, fatores que determinam NPO pré-operatória

O problema principal é que muitos candidatos decoram as classificações ASA, mas não entendem o critério que coloca um paciente em cada nível. Resultado? Erram quando a questão traz um caso clínico real. Portanto, vamos entender a lógica antes de qualquer coisa.

Além disso, é crucial dominar.

Classificação ASA – fundamentos essenciais: entenda de verdade, não decore só o nome

A Escala ASA (American Society of Anesthesiologists) classifica o risco anestésico em 6 categorias. A banca cobra 90% das vezes nos casos clínicos. Veja bem, portanto, como cada nível se organiza:

Em seguida, vejamos a tabela.

Classe ASA Critério Risco Perioperatório Exemplo Clínico
ASA I Paciente saudável, sem doença sistêmica Mínimo Paciente 25 anos, sem comorbidades, para apendicectomia eletiva
ASA II Doença sistêmica leve, sem limitação funcional Baixo Hipertensão controlada, diabetes sem complicações, obesidade leve
ASA III Doença sistêmica grave com limitação funcional Intermediário Infarto prévio, DPOC moderada, cirrose leve-moderada, diabetes com complicações
ASA IV Doença sistêmica grave que ameaça a vida Alto Infarto agudo do miocárdio, edema pulmonar agudo, choque séptico
ASA V Paciente moribundo, não se espera sobrevida > 24h sem cirurgia Muito alto Rotura de AAA com choque, traumatismo grave com instabilidade
ASA VI Morte cerebral confirmada; doador de órgãos Preparação para transplante Paciente com morte cerebral documentada

Por conseguinte, saiba: Dica de prova: ASA III vs IV é a distinção mais comum, portanto merece atenção extra. A diferença está em “limitação funcional” (III) vs “ameaça à vida” (IV). Por exemplo, um paciente com DPOC grave em uso de O₂ domiciliar 24h é ASA III. Em contraste, um paciente com cor pulmonale descompensado é ASA IV.

No entanto, existem regras claras.

Jejum pré-operatório – regras irrevogáveis: os prazos exatos que não variam

Indubitavelmente, o jejum pré-operatório tem consenso internacional e é testado com frequência porque candidatos confundem os horários. Assim, vamos deixar absolutamente claro:

Então, memorizeativamente:

Tipo de Alimento/Bebida Tempo de Jejum Mínimo
Líquidos claros (água, chá sem leite, suco sem polpa) 2 horas
Leite materno 3 horas
Leite de vaca / fórmula infantil 4 horas
Refeição sólida (alimentos com gordura ou proteína) 6-8 horas

Além disso, retenha bem:

Regra de ouro: 2-4-6 é muito fácil de lembrar. Para criança que mamou leite materno, a resposta é 3 horas de jejum. Com fórmula infantil, aumentamos para 4 horas. Após refeição sólida, mínimo 6 horas. Dessa forma, você nunca mais erra esses prazos na prova.

Exceção de risco: Convém mencionar que pacientes com refluxo gastroesofágico, obesidade mórbida, gestantes e pacientes com obstáculo gástrico têm risco aumentado de aspiração. Nesse contexto, o jejum pode ser prolongado ou medicações pré-operatórias (ranitidina, metoclopramida) são indicadas.

Por outro lado, a via aérea merece atenção.

Avaliação de via aérea: os critérios que determinam intubação dificil

Cabe ressaltar que a avaliação de via aérea é crítica porque uma intubação difícil é complicação anestésica grave. Portanto, a banca cobra os critérios clássicos com frequência.

Escala de Mallampati

Por fim, vamos aos detalhes.

Realizada com o paciente sentado; portanto, observe, boca aberta, língua protrusa sem fonação. Além disso, é fundamental compreender cada grau:

  • I (Fácil): visualização completa das amígdalas e úvula
  • II (Fácil): úvula parcialmente visível
  • III (Intermediária): apenas o palato mole visível, úvula não aparece
  • IV (Difícil): somente o palato duro visível, nenhuma estrutura posterior

Mallampati III-IV sugere intubação difícil. Quando a questão de prova perguntar: “Paciente Mallampati IV. Qual a próxima conduta?”, as respostas esperadas incluem avaliação complementar (distância tireomentoneana, mobilidade cervical), planejamento de indução com manutenção de ventilação espontânea, e consideração de fibroscopia de vigília ou videolaringoscopia.

Distância Tireomentoneana (DTM)

Reafirmando medida da borda inferior. Em outras palavras do mento ao pomo de Adão com o pescoço em extensão máxima. Assim, os pontos de corte são:

  • Superior a 6,5 cm: intubação fácil esperada
  • Entre 6 e 6,5 cm: via aérea de risco intermediário
  • Menor que 6 cm: risco aumentado para intubação difícil

Abertura Bucal (Distância Interincisiva)

Distância entre incisivos centrais superiores; assim sendo e inferiores com a boca aberta. Vale lembrar que. Consequentemente, os critérios são:

Lembrete de prova: Se a questão apresenta “Mallampati IV + DTM < 6 cm + abertura bucal < 3 cm”, o risco de intubação difícil é ALTO. Nesses casos, a conduta é avisar o anestesiologista, ter equipamento de difícil manejo (lâminas alternativas, fibroscopia) disponível e considerar técnicas de indução diferenciadas.

Em seguida, vamos aos medicamentos.

Medicações pré-operatórias – parar vs continuar: o que parar, o que continuar

Inegavelmente muitos casos de complicação perioperatória; de fato ocorrem por manejo inadequado de medicações crônicas. A banca testa isso frequentemente porque é conhecimento prático essencial. Além disso, confundir qual medicação para e qual continua é erro grave em residência.

Drogas que DEVEM SER PARADAS

  • Então, IECA / Bloqueadores AT1: parar 24h antes (risco de hipotensão intraoperatória); alguns anestesiologistas mantêm
  • Com efeito, Anticoagulantes (varfarina, DOACs): parar conforme tipo e tipo de cirurgia; varfarina 3-5 dias antes, rivaroxabana/apixabana 24h antes, enoxaparina conforme cirurgia
  • Principalmente, Aspirina: parar 7-10 dias antes se cirurgia de alto risco de sangramento; manter se risco cardíaco muito alto
  • De fato, AINEs: parar 2-3 dias antes
  • Ainda que, Metformina: parar no dia da cirurgia (risco de acidose lática se houver hipoxemia/hipoperfusão)

Drogas que DEVEM SER CONTINUADAS

  • Beta-bloqueadores: continuar até o dia da cirurgia, inclusive manhã do procedimento (se for manhã, pode dar dose reduzida)
  • Igualmente, Inibidores de bomba de prótons: continuar
  • Assim sendo, Corticosteroides: continuar; se paciente em terapia crônica, aumentar dose no perioperatório (cobertura de estresse)
  • Simultaneamente, Levotiroxina: continuar
  • Por último, Antidepressivos: continuar (risco de síndrome de retirada se parar abruptamente)

Caso de prova clássico: Considere o seguinte cenário: “Paciente em uso de varfarina por fibrilação atrial. Cirurgia eletiva planejada em 3 dias. Qual a conduta?” A resposta esperada é: suspender varfarina 3-5 dias antes, fazer INR no dia anterior (alvo < 1,5), e considerar profilaxia com heparina EBPM se o risco tromboembólico for muito alto. Portanto, memorize essas sequências.

Por fim, considere a aspiração.

Risco de aspiração: quem precisa de cuidados especiais

Decerto, aspiração é complicação grave. Portanto, pacientes de risco devem ter jejum prolongado ou medicações pré-operatórias especiais. Vale ressaltar que identificar esses pacientes é responsabilidade multidisciplinar.

Fatores de risco aumentado:

  • Inicialmente, obesidade mórbida (IMC > 40)
  • Além disso, gravidez (especialmente > 12 semanas)
  • Depois, refluxo gastroesofágico / hérnia de hiato sintomática
  • Também, obstrução gástrica (úlcera, tumor, estenose)
  • Pacientes com mobilidade reduzida (posição supina prolongada, imobilidade)
  • Finalmente, cirurgia de emergência com estômago cheio

Conduta em paciente de risco:

  • Dessa forma: ranitidina 50 mg IV 60-90 min antes (reduz pH gástrico)
  • Logo, metoclopramida 10 mg IV 60 min antes (acelera esvaziamento gástrico)
  • Em conclusão, citrato de sódio 30 mL VO 15 min antes (neutraliza conteúdo gástrico – menos usado)
  • Jejum prolongado quando possível
  • Outrossim, indução em seqüência rápida com pressão cricoide quando indicado

Exames complementares – indicações precisas pré-operatórios: quando indicar

Na verdade, não se pede ECG em todos os pacientes. Isso é material de prova frequente, pois candidatos costumam prescrever exames desnecessariamente. Assim, vamos esclarecer. As diretrizes internacionais de avaliação pré-operatória, publicadas pela Research sobre Preoperative Evaluation, padronizam essas indicações. Igualmente, estudos clínicos consolidados no National Library of Medicine reforçam essas recomendações.

Em seguida, vejamos a tabela.

Exame Indicação
ECG Idade > 40 anos, história de cardiopatia, hipertensão, diabetes, cirurgia de grande porte
Radiografia Torácica Idade > 60 anos, DPOC, insuficiência cardíaca, fumante, cirurgia pulmonar ou cardíaca
Hemograma Cirurgia com sangramento esperado, anemia conhecida, comorbidades
Coagulograma (TP/TTPA) Histórico de sangramento, em uso de anticoagulantes, hepatopatia, cirurgia de grande porte
Glicemia Diabetes conhecido ou suspeito
Ureia/Creatinina Idade > 60 anos, diabetes, hipertensão, nefropatia conhecida
Proteína total/albumina Desnutrição suspeita, hepatopatia

Regra prática: Quando houver uma cirurgia de baixo risco em paciente ASA I saudável? Apenas anamnese e exame físico. Em contraste, cirurgia de grande porte em ASA III-IV? Todos os exames acima. Dessa forma, você economiza tempo e acerta a prescrição.

Igualmente importante é conhecer.

Risco de complicações – fatores independentes perioperatórias: quem tem maior risco

Decerto, a prova cobra conhecimento dos fatores de risco independentes de complicação anestésica. Sendo assim, vamos listar os principais:

  • Hipoxemia: DPOC, obesidade, posição supina prolongada, anestesia profunda prolongada
  • Hipotensão: depleção de volume, uso de anestésicos potentes, sepse, insuficiência cardíaca
  • Hipertensão: hipertensão descontrolada pré-operatória, estimulação cirúrgica inadequada, superficialidade anestésica
  • Arritmia: cardiopatia prévia, hipoxemia, hipercapnia, hipokalemia, intubação traumática
  • Tromboembolismo venoso: cirurgia de grande porte, imobilidade, câncer, trombofilia, obesidade
  • Infecção pós-operatória: imunodepressão, diabetes, obesidade, cirurgia sucia/suja, duração cirúrgica > 2 horas

Ponto-chave para a prova: A avaliação pré-anestésica não é responsabilidade só do anestesiologista. Na verdade, o cirurgião, o clínico geral e toda a equipe devem conhecer esses riscos para otimizar o paciente antes da cirurgia. Portanto, estude com essa perspectiva interdisciplinar.

Do mesmo modo, o estudo deve ser.

Estratégias de estudo para dominar avaliação pré-anestésica

Para arrasar em questões de avaliação pré-anestésica na residência, siga estas orientações:

No entanto, siga estas estratégias:

  1. Decore os critérios ASA com exemplos clínicos reais. Não é só nome – é saber colocar um paciente em cada classe rapidamente. Assim, treine com amigos ou colegas.
  2. Pratique com casos clínicos. Vire o paciente clínico em avaliação pré-anestésica rapidamente: “Paciente 58 anos, ex-fumante, HAS, DM2, para colecistectomia. ASA? Jejum? Via aérea? Medicações?”. Este é exatamente o tipo de questão que cai em provas. Portanto, resolva pelo menos 10 casos assim.
  3. Domine os prazos de jejum. 2-4-6 é fácil de lembrar. Teste com diferentes alimentos na sua cabeça. Além disso, conheça as exceções.
  4. Saiba diferençar intubação fácil de difícil. Mallampati, DTM, abertura bucal – combine os critérios. Assim, você previne surpresas na prova.
  5. Conheça medicações que parar vs continuar. A banca adora pedir conduta com varfarina, metformina, IECA. Saiba as diferenças. Consequentemente, crie um quadro resumido.
  6. Estude com a plataforma Easy Medicina. Aqui você encontra resumos, esquemas de decisão e centenas de questões de residência comentadas. Além disso, muitos candidatos aprovados começaram estudando avaliação pré-anestésica de forma estruturada em plataformas desse tipo.

Conclusão: o mapa mental final

Finalmente, a avaliação pré-anestésica não é complicada – é detalhista. Se você dominar os 4 pilares abaixo, vai acertar 95% das questões:

No entanto, siga estas estratégias:

  1. ASA: paciente saudável I, doença leve II, grave III, ameaça vida IV, moribundo V, morte cerebral VI.
  2. Jejum: 2-4-6 horas conforme tipo de alimento.
  3. Via aérea: Mallampati, DTM, abertura bucal – combine para prever dificuldade.
  4. Medicações: parar anticoagulantes/IECA/aspirina, continuar beta-bloqueadores/IBP/corticoides.

Por fim, com essas informações bem fixadas, você vai resolver questões de avaliação pré-anestésica com segurança e rapidez. Portanto, estude agora e boa sorte na prova de residência!

Lembrete Easy

Estude com método: transforme conteúdo em perguntas, revise com repetição espaçada e feche o ciclo com questões.

Filipe Lírio Malta
Filipe Lírio Malta @filipelirio

Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
CEO da empresa Easy Medicina