Epilepsia residência médica: classificação e conduta - Easy Medicina
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Epilepsia: classificação, primeira droga e estado de mal

Filipe Lírio Malta Por Filipe Lírio Malta · 13 de julho de 2026 · 12 min de leitura

Epilepsia residência médica é um tema que parece simples até a questão misturar classificação da crise, escolha da primeira droga e estado de mal epiléptico. Para acertar, você precisa raciocinar em fases: primeiro identificar o tipo de crise, depois decidir se é epilepsia, em seguida escolher o tratamento inicial e, por fim, reconhecer quando a crise virou emergência.

Portanto, não estude epilepsia como uma lista de anticonvulsivantes. Estude como um algoritmo de prova. A banca quer saber se você separa crise focal de generalizada, se evita drogas que pioram ausências, se lembra das armadilhas em mulher em idade fértil e se trata estado de mal sem esperar a crise “passar sozinha”.

Epilepsia residência médica: o mapa mental que organiza a questão

Primeiro, o passo inicial é separar três termos que muita gente mistura. Crise epiléptica é um evento transitório causado por atividade neuronal anormal. Epilepsia é uma tendência persistente a crises não provocadas. Crise provocada aparece por um gatilho agudo, como hipoglicemia, distúrbio hidroeletrolítico, álcool, infecção do sistema nervoso central ou trauma recente.

Na prática da prova, portanto, essa diferença muda tudo. Se o enunciado descreve uma primeira crise com glicemia muito baixa, sódio gravemente reduzido ou abstinência alcoólica, a prioridade é tratar a causa. Você não deve automaticamente rotular o paciente como epiléptico crônico. Por isso, antes de decorar remédio, treine a pergunta: “essa crise foi provocada ou não provocada?”.

Em seguida, classifique o início da crise. A classificação moderna começa pelo início focal, generalizado ou desconhecido. Por exemplo, crise focal começa em uma rede de um hemisfério. Já a crise generalizada envolve redes bilaterais desde o início. Por fim, quando ninguém viu o começo ou a história é incompleta, use início desconhecido até obter mais dados.

  • Crise focal consciente: paciente mantém consciência durante o evento.
  • Consciência comprometida: há alteração de contato, automatismos ou amnésia em crise focal.
  • Evolução bilateral: começa focal e progride para convulsão tônico-clônica bilateral.
  • Generalizada tônico-clônica: perda de consciência e movimentos tônico-clônicos bilaterais desde o início.
  • Ausência: lapsos breves de consciência, frequentemente com olhar parado, sem pós-ictal importante.
  • Mioclônica: abalos rápidos, muitas vezes ao despertar, como na epilepsia mioclônica juvenil.

Além disso, esse bloco precisa virar revisão ativa. Por exemplo, se a questão diz “sensação epigástrica ascendente, automatismos orais e confusão depois”, pense em crise focal com comprometimento da consciência, frequentemente temporal. Se diz “adolescente com abalos matinais e crise tônico-clônica após privação de sono”, pense em epilepsia mioclônica juvenil.

Para treinar outros quadros neurológicos que caem junto com crise, revise também AVC agudo na residência. Alteração súbita de consciência, déficit focal e crise podem aparecer no mesmo enunciado, e a banca quer que você não confunda tudo em uma única resposta.

Primeira crise: o que investigar antes de chamar de epilepsia

Em uma primeira crise, a prova geralmente cobra segurança. Portanto, o objetivo inicial é confirmar que foi crise, procurar causa reversível e identificar sinais de risco. Portanto, o atendimento começa com ABC, glicemia capilar, sinais vitais, história de testemunha e exame neurológico.

Além disso, procure pistas de síncope, crise psicogênica não epiléptica e eventos metabólicos. Síncope costuma ter pródromo autonômico, queda rápida, recuperação mais curta e pode ter pequenos abalos. Crise epiléptica tônico-clônica costuma ter mordedura lateral de língua, cianose, confusão pós-ictal e dor muscular depois. Nenhum sinal isolado é perfeito, mas o conjunto ajuda.

Em seguida, o checklist prático para a primeira crise é este:

  1. Verificar glicemia imediatamente, porque hipoglicemia mata e é reversível.
  2. Procurar sódio, cálcio, função renal, toxinas, álcool, febre e sinais infecciosos conforme contexto.
  3. Investigar gravidez quando relevante, porque eclâmpsia muda a conduta.
  4. Solicitar neuroimagem se houver déficit focal, trauma, imunossupressão, câncer, febre, cefaleia intensa, crise focal ou início tardio.
  5. Programar EEG e avaliação neurológica quando a crise não foi claramente provocada.

Na prática, a banca adora colocar uma causa metabólica evidente. Por exemplo, paciente diabético em uso de insulina, confuso, sudoreico e convulsionando deve lembrar hipoglicemia. Para revisar esse raciocínio rápido, use o artigo sobre hipoglicemia na residência.

No entanto, outro detalhe: uma crise única não provocada não obriga tratamento crônico em todos os casos. A decisão depende do risco de recorrência, achados no EEG, lesão estrutural, tipo de síndrome epiléptica e contexto do paciente. Em prova generalista, não transforme toda primeira crise em prescrição definitiva de anticonvulsivante.

Classificação da crise: como não errar focal, generalizada e ausência

Além disso, a classificação é importante porque guia a primeira droga. Alguns fármacos funcionam bem em crises focais, mas podem piorar tipos generalizados específicos. Por isso, a pergunta de prova quase sempre traz idade, semiologia e gatilhos.

Por exemplo, crises focais podem ter sintomas motores, sensitivos, autonômicos, emocionais ou cognitivos. Um paciente pode sentir déjà vu, medo súbito, cheiro estranho, sensação epigástrica, parestesia em um membro ou desvio ocular. Se a consciência fica preservada, é focal consciente. Se há desconexão, automatismos e amnésia, é focal com comprometimento da consciência.

Já as crises generalizadas tônico-clônicas têm perda de consciência desde o início, fase tônica, fase clônica e pós-ictal. No enunciado, isso aparece como queda, rigidez, abalos bilaterais, salivação, mordedura de língua, confusão e sonolência. Depois da crise, não esqueça avaliar trauma, aspiração, hipoglicemia e causa de base.

No entanto, ausência típica é outra pegadinha. A criança para subitamente, olha fixo, pode piscar, volta rápido e não tem pós-ictal prolongado. Pode ser precipitada por hiperventilação. O EEG clássico tem descargas ponta-onda generalizadas a 3 Hz. A droga mais lembrada para ausência típica isolada é etossuximida. Se também houver crise tônico-clônica generalizada, valproato costuma entrar na discussão, respeitando contraindicações.

Por fim, mioclonias, especialmente ao despertar, apontam para epilepsia mioclônica juvenil. Aqui mora uma armadilha: carbamazepina, oxcarbazepina e fenitoína podem piorar algumas epilepsias generalizadas, incluindo crises de ausência e mioclônicas. Portanto, se a questão descreve síndrome generalizada, pense antes de escolher uma droga “de crise focal”.

Como aplicar isso no estudo? Faça cards por padrão clínico, não por capítulo. Por exemplo, um card pergunta: “adolescente com abalos matinais e privação de sono, síndrome provável?”. Além disso, outro pergunta: “ausência típica isolada, primeira droga clássica?”. Esse formato exige recuperação ativa e reduz a chance de confundir semiologia.

Primeira droga na epilepsia: escolha por tipo de crise, perfil e contraindicações

Além disso, na residência, a primeira droga raramente é uma escolha “universal”. Ela depende do tipo de crise, idade, sexo, comorbidades, interações, gravidez, risco de teratogenicidade e efeitos adversos. A lógica de prova é mais importante que decorar uma tabela enorme.

Em crises focais, por exemplo, opções muito cobradas incluem carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina e levetiracetam. Carbamazepina é clássica em livros e provas, mas exige lembrar interações, hiponatremia, rash e indução enzimática. Lamotrigina é bem tolerada, porém precisa titulação lenta por risco de rash grave. Levetiracetam tem poucas interações, mas pode causar irritabilidade e sintomas psiquiátricos em alguns pacientes.

Já para crises generalizadas tônico-clônicas, valproato é muito eficaz, mas a banca cobra seu problema central: evitar em gestantes e em mulheres com potencial de engravidar quando houver alternativas adequadas, por risco teratogênico e efeitos no neurodesenvolvimento. Nesses cenários, lamotrigina e levetiracetam aparecem como alternativas frequentes, dependendo do tipo de crise e do contexto.

Por outro lado, para ausência típica, etossuximida é a resposta clássica quando a ausência é isolada. Valproato pode ser considerado quando há ausência associada a outros tipos de crise generalizada, mas novamente entra a cautela em mulheres em idade fértil. Lamotrigina pode ser opção em alguns contextos, embora possa ser menos potente para ausência que etossuximida ou valproato em provas tradicionais.

Por fim, para epilepsia mioclônica juvenil, valproato é muito eficaz, mas as restrições em mulheres em idade fértil são relevantes. Levetiracetam e lamotrigina podem aparecer como alternativas, mas lamotrigina pode piorar mioclonias em alguns pacientes. O ponto de prova é reconhecer a síndrome e evitar fármacos que pioram crises generalizadas.

Cenário de prova Raciocínio Pegadinha
Crise focal Carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina ou levetiracetam Interações e hiponatremia com carbamazepina e oxcarbazepina
Ausência típica isolada Etossuximida costuma ser a resposta clássica Não escolher carbamazepina para ausência
Generalizada tônico-clônica Valproato é eficaz, mas avaliar perfil do paciente Evitar valproato em gestação e cautela em potencial reprodutivo
Mioclonias ao despertar Pensar em epilepsia mioclônica juvenil Carbamazepina pode piorar crises mioclônicas

Além disso, não esqueça orientação. Sono, álcool, adesão, direção veicular, banho sozinho, altura, piscina e máquinas entram na vida real e podem aparecer em alternativas de conduta. Por fim, a melhor resposta não é só prescrever, mas reduzir risco.

Estado de mal epiléptico: tempo, sequência e conduta de prova

Estado de mal epiléptico convulsivo, portanto, é emergência. Em termos práticos de prova, trate crise tônico-clônica contínua por 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas como estado de mal. Não espere 30 minutos para agir. Esse é um dos pontos mais importantes do tema.

Primeiro, o passo inicial é suporte. Proteja via aérea, posicione em decúbito lateral se possível, administre oxigênio quando indicado, monitore, obtenha acesso venoso e verifique glicemia capilar. Se houver suspeita de hipoglicemia, dê tiamina antes da glicose em paciente com risco de deficiência, mas não atrase glicose em emergência.

Em seguida, vem benzodiazepínico. Lorazepam IV, diazepam IV ou midazolam IM são opções clássicas conforme disponibilidade e acesso. Se não há acesso venoso, midazolam intramuscular ou via mucosa é muito útil. A pegadinha é subdosar benzodiazepínico ou repetir indefinidamente sem avançar para a próxima fase.

Em seguida, depois do benzodiazepínico, se a crise persiste ou há alto risco de recorrência, use uma droga de segunda linha para manutenção aguda, como fosfenitoína ou fenitoína, levetiracetam, valproato ou fenobarbital, conforme contexto, contraindicações e protocolo local. Em prova, fenitoína aparece muito, mas lembre que ela não é boa para ausência e pode ter problemas cardiovasculares na infusão.

No entanto, se o estado de mal continua apesar dessas etapas, é refratário. A conduta passa para UTI, anestésicos contínuos, EEG contínuo quando disponível e investigação agressiva da causa. Nesse ponto, a prova quer que você reconheça gravidade, não que tente mais uma dose aleatória em enfermaria.

Checklist prático do estado de mal: marque o tempo, chame ajuda, avalie ABC, faça glicemia, dê benzodiazepínico adequado, avance para segunda linha se persistir, procure a causa e encaminhe para UTI se refratário.

Erros de prova em epilepsia que custam ponto

Portanto, revise epilepsia pelos erros mais comuns. Eles concentram grande parte das alternativas erradas.

  • Erro 1: chamar toda primeira crise de epilepsia. Primeiro descarte crise provocada por causa metabólica, tóxica, infecciosa ou estrutural aguda.
  • Erro 2: esperar demais no estado de mal. Crise convulsiva por 5 minutos já pede tratamento ativo.
  • Erro 3: escolher carbamazepina para ausência. Ausência típica isolada lembra etossuximida.
  • Erro 4: esquecer valproato e gestação. Valproato é eficaz, mas tem grande problema teratogênico.
  • Erro 5: decorar fármaco sem classificar a crise. Portanto, a droga depende do tipo de crise e da síndrome.
  • Erro 6: ignorar hipoglicemia. Glicemia capilar é conduta rápida e muda o desfecho.

Além disso, alguns detalhes de linguagem ajudam. Quando a questão fala “automatismos”, pense em crise focal com comprometimento da consciência. Diante de “olhar parado e retorno imediato”, pense em ausência. Já os “abalos matinais” sugerem mioclonia. Por fim, crise contínua deve acender o alerta para estado de mal.

Para priorizar essa revisão junto com outros temas de prova, use o guia de temas mais cobrados na prova de residência. Epilepsia é rentável porque mistura neurologia, emergência, farmacologia e segurança do paciente.

Como transformar epilepsia em revisão ativa para residência

A melhor forma de estudar epilepsia não é reler uma tabela. É construir perguntas curtas, com cenário clínico e decisão. Portanto, transforme cada erro em card.

  1. Classificação: “paciente com déjà vu, automatismo oral e confusão pós-evento. Tipo de crise?”.
  2. Ausência: “criança com lapsos breves, hiperventilação precipita, EEG 3 Hz. Primeira droga clássica?”.
  3. Estado de mal: “crise tônico-clônica há 5 minutos. Próxima conduta?”.
  4. Gestação: “mulher em idade fértil com epilepsia generalizada. Qual cuidado com valproato?”.
  5. Pegadinha: “qual anticonvulsivante pode piorar ausência ou mioclonia?”.

Depois disso, resolva questões e alimente um caderno de erros. Quando o erro foi não classificar a crise, crie card de semiologia. Para erro de droga, crie card de cenário. No erro sobre estado de mal, crie card de sequência temporal. Além disso, esse processo combina bem com active recall na medicina, porque força recuperação em vez de leitura passiva.

Por fim, use o EasyCards para revisar esses padrões com repetição espaçada. Epilepsia tem muitas decisões pequenas, e decisões pequenas esquecidas viram ponto perdido. Cards bem feitos ajudam a lembrar classificação, primeira droga, contraindicações e sequência do estado de mal na hora da prova.

Resumo final para a prova

Em resumo, portanto, epilepsia na residência é uma sequência. Primeiro, confirme que foi crise e procure causa provocada. Depois, classifique o início como focal, generalizado ou desconhecido. Em seguida, escolha a droga conforme tipo de crise, síndrome e perfil do paciente. Por fim, trate estado de mal convulsivo como emergência a partir de 5 minutos, com suporte, glicemia, benzodiazepínico e segunda linha quando necessário.

Além disso, as classificações da International League Against Epilepsy ajudam a organizar tipos de crise e epilepsias, enquanto a diretriz da American Epilepsy Society orienta o tratamento do estado de mal convulsivo. Você pode consultar as referências em Operational classification of seizure types by the ILAE, ILAE classification of the epilepsies e Evidence-Based Guideline: Treatment of Convulsive Status Epilepticus.

Portanto, se você só revisar uma coisa hoje, revise o algoritmo: crise provocada ou não, focal ou generalizada, primeira droga compatível, estado de mal em 5 minutos. Esse passo a passo é simples, aplicável e muito mais seguro do que tentar decorar anticonvulsivantes fora de contexto.

Lembrete Easy

Estude com método: transforme conteúdo em perguntas, revise com repetição espaçada e feche o ciclo com questões.

Filipe Lírio Malta
Filipe Lírio Malta @filipelirio

Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
CEO da empresa Easy Medicina